Corrupção em Garopaba Funcionou por 10 Anos com Pedido de Carne

Esquema de Corrupção em Garopaba: Uma Investigação de 10 Anos

Recentemente, uma investigação reveladora apontou que um esquema de corrupção em Garopaba, Santa Catarina, operava de forma contínua por aproximadamente 10 anos. A operação, denominada Coleta Seletiva 2, resultou na prisão do prefeito Júnior de Abreu Bento, do empresário Joaquim da Silva Pacheco e do pregoeiro da prefeitura, Silas Gonçalves, em uma ação coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

O Início da Investigação

De acordo com documentos obtidos pelo MPSC, as atividades ilícitas que caracterizam esse esquema estavam em andamento há uma década, com evidências de sua continuidade e a possibilidade de que fossem mantidas se os envolvidos não fossem detidos. Os relatos indicam que o esquema estava profundamente enraizado nas práticas administrativas e contratuais do município.

Detalhes das Prisões e da Operação

A operação Coleta Seletiva 2 foi desencadeada em 8 de janeiro de 2026, culminando na prisão preventiva dos principais suspeitos. O prefeito Júnior de Abreu, associado ao partido Progressistas, e os outros envolvidos foram detidos devido ao papel central que desempenhavam no suposto esquema de corrupção relacionado à contratação de serviços de coleta de lixo pela empresa Resamb, de propriedade de Joaquim Pacheco.

Relações Suspeitas Desde 2015

Investigações da Polícia Civil revelaram que a relação entre o empresário Joaquim Pacheco e os funcionários da prefeitura já era próxima em 2015. Mensagens trocadas entre um servidor e o empresário solicitavam contribuições financeiras para festas e confraternizações nas secretarias municipais. Essas interações levantam suspeitas sobre a troca de favores e a influência do empresário nas decisões administrativas.

Impugnação de Edital e Direcionamento

No ano de 2023, um novo contrato para serviços de coleta de lixo foi necessário, e um pregão eletrônico foi realizado. Contudo, uma empresa concorrente impugnou o edital, alegando irregularidades na aglutinação de objetos contratuais, um problema que dificulta a concorrência. O pregoeiro Silas Gonçalves alertou o prefeito sobre as questões levantadas, mas mesmo assim, o edital prosseguiu sem as devidas correções, resultando na manutenção do contrato com a Resamb.

Suspeitas de Propina e Organização Criminosa

Durante a investigação, o MPSC identificou um padrão criminoso que envolvia o pagamento de propinas a agentes públicos. A cada pagamento efetuado pelo município à Resamb, o empresário Joaquim Pacheco realizava saques em dinheiro e se encontrava pessoalmente com servidores para repassar valores ilícitos. O MP qualificou essa operação como uma organização criminosa, com o prefeito e o empresário em posições de liderança.

Respostas dos Envolvidos

Em resposta às acusações, as defesas dos envolvidos alegaram que a prisão preventiva é desproporcional e que não houve evidências claras de envolvimento direto em atividades ilícitas. A defesa do prefeito Júnior de Abreu argumentou que ele não tinha conhecimento das irregularidades mencionadas e que era responsabilizado por atos de terceiros. A defesa do empresário Joaquim Pacheco afirmou que a Resamb continuava a prestar serviços adequados e que não havia irregularidades na execução do contrato.

Conclusão e Situação Atual

Atualmente, Júnior de Abreu, Joaquim Pacheco e Silas Gonçalves permanecem presos preventivamente, enquanto aguardam o andamento do processo judicial. O Superior Tribunal de Justiça negou um pedido de habeas corpus do prefeito, que se defende das acusações, sustentando que a investigação não conseguiu comprovar sua culpa. A situação continua a ser monitorada, e novas informações devem surgir à medida que o processo avança, revelando mais detalhes sobre a extensão das práticas corruptas em Garopaba.