Foguete Hanbit-Nano Explode Após Decolagem: O Primeiro Lançamento Orbital do Brasil
Na noite de 22 de dezembro de 2025, o Brasil presenciou um momento histórico que, infelizmente, não se concretizou como esperado. O foguete Hanbit-Nano, da startup sul-coreana Innospace, deveria marcar o primeiro lançamento orbital em solo brasileiro, mas sofreu uma anomalia logo após a decolagem, resultando em sua destruição. O lançamento ocorreu no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, às 22h13, e a falha foi registrada menos de dois minutos após a decolagem.
Durante os primeiros momentos do voo, o Hanbit-Nano conseguiu superar a velocidade do som (Mach 1) e atingiu o pico de pressão aerodinâmica. Contudo, a transmissão foi abruptamente interrompida, e a equipe de controle recebeu a notificação da anomalia, indicando que o veículo havia sido perdido. A falha parece ter ocorrido ainda na fase propulsada do primeiro estágio, o que impede a realização de um teste completo do foguete.
Histórico de Lançamentos e Fracassos
Este evento se junta a um histórico de tentativas frustradas do Brasil de alcançar a órbita. Antes do Hanbit-Nano, outras três tentativas com o Veículo Lançador de Satélites (VLS-1) ocorreram em 1997, 1999 e 2003, todas sem sucesso. É importante notar que, em lançamentos de novos foguetes, falhas desse tipo são comuns e esperadas, especialmente durante os primeiros testes em voo.
A Innospace já havia realizado um lançamento bem-sucedido anteriormente, em março de 2023, quando testou o Hanbit-TLV, um protótipo menor e de estágio único. Este voo suborbital teve como objetivo verificar os sistemas que seriam incorporados ao Hanbit-Nano. A experiência adquirida nesse teste, embora positiva, não foi suficiente para evitar a falha no lançamento mais recente.
Desafios e Adiamentos do Lançamento
O processo para o lançamento do Hanbit-Nano enfrentou diversos desafios. Inicialmente programado para 17 de dezembro, o lançamento foi adiado várias vezes devido a problemas como a falta de fornecimento de energia à plataforma, falhas em uma das válvulas do foguete e condições meteorológicas adversas. A chuva na tarde do dia 22 foi um fator decisivo para que a decolagem ocorresse apenas à noite, alterando toda a logística do evento, que incluiu a ereção do foguete na plataforma de lançamento.
O Hanbit-Nano possui 21 metros de comprimento e é um foguete de dois estágios. O primeiro estágio é impulsionado por um motor híbrido que combina parafina e oxigênio líquido, enquanto o segundo estágio utiliza um motor que funciona com metano e oxigênio líquidos. Infelizmente, a falha prematura impediu que o segundo estágio fosse testado, resultando na perda das cargas úteis a bordo, que incluíam cinco nanossatélites brasileiros e três experimentos.
Próximos Passos e Análises
Após o ocorrido, os engenheiros da Innospace iniciarão uma análise detalhada dos dados coletados durante o teste. A expectativa é que estes dados ajudem a identificar os problemas que levaram à falha e possibilitem ajustes para futuras tentativas de lançamento. A Innospace é a única empresa que obteve licença para realizar lançamentos a partir de Alcântara e já alcançou um estágio operacional, o que é um marco significativo para a indústria espacial brasileira.
Vantagens do Centro de Lançamento de Alcântara
O Centro de Lançamento de Alcântara oferece vantagens logísticas únicas, especialmente para foguetes de pequeno porte. Sua localização próxima à linha do Equador, a apenas 2,3 graus ao sul, permite que os lançadores economizem combustível, aproveitando a rotação mais rápida da Terra na região equatorial. Isso significa que os foguetes podem atingir a velocidade necessária para permanecer em órbita, que é de aproximadamente 27 mil km/h, com um pouco de ajuda da própria Terra.
Apesar da frustração com o lançamento do Hanbit-Nano, a jornada para o desenvolvimento da indústria espacial brasileira continua. A análise dos dados e as lições aprendidas nesse teste serão fundamentais para o sucesso de futuras missões espaciais no Brasil.