Adrenalina na Laringite: Entenda o Caso do Menino Benício

Caso do Menino Benício: Uso da Adrenalina em Laringite

O caso trágico do menino Benício, de apenas seis anos, que faleceu após receber uma dosagem inadequada de adrenalina intravenosa, trouxe à tona importantes questionamentos sobre a utilização dessa substância em casos de laringite. O incidente, que ocorreu no Amazonas, gerou preocupação e discussão entre profissionais da saúde e pais sobre o tratamento adequado para essa condição.

O que Aconteceu com Benício

Benício foi levado ao Hospital Santa Júlia, em Manaus (AM), apresentando tosse seca e suspeita de laringite. Durante a consulta, a médica prescreveu um tratamento que incluía lavagem nasal, soro e xarope, além de três doses de adrenalina intravenosa de 3ml, a serem administradas a cada 30 minutos. Após a primeira aplicação, o estado de saúde do menino piorou drasticamente, levando-o a ser transferido para a sala vermelha, onde a oxigenação caiu para alarmantes 75%.

Em seguida, Benício foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde seu quadro continuou a se deteriorar, resultando em necessidade de intubação. Infelizmente, o menino sofreu paradas cardíacas e faleceu na madrugada do dia 23 de novembro de 2025.

Por que a Adrenalina é Prescrita para Laringite?

A adrenalina, conhecida também como epinefrina, é frequentemente prescrita em situações de laringite, especialmente em casos de laringotraqueobronquite, comumente chamada de crupe. Sua ação é fundamental para a redução do edema, ou inchaço, na mucosa das vias respiratórias, aliviando assim a obstrução das vias aéreas. Essa intervenção é crucial, pois a laringite pode levar a complicações sérias se não for tratada adequadamente.

Estudos sobre a Eficácia da Adrenalina

Pesquisas realizadas, como um estudo prospectivo no Hospital Universitário da USP, avaliaram o uso de adrenalina inalatória em crianças com laringite pós-extubação. Os resultados mostraram que a nebulização com adrenalina é eficaz na melhora dos sintomas, sem provocar efeitos colaterais significativos, como alterações na frequência cardíaca ou na saturação de oxigênio. É importante ressaltar que todos os estudos consultados enfatizam a administração de adrenalina por via nebulizada, e não intravenosa, como ocorreu no caso de Benício.

A nebulização é um método comum e seguro para crianças com sintomas moderados a graves, pois ajuda a aliviar o sofrimento respiratório e previne complicações mais sérias. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) corroborou a segurança da nebulização com adrenalina, utilizando uma diluição de 1:1000, considerando-a como uma prática segura para o tratamento de laringite ou crupe em crianças. Os efeitos colaterais geralmente são leves e transitórios, incluindo taquicardia leve, palidez, hiperatividade e, em alguns casos, vômito ou eritema cutâneo.

Riscos Associados ao Uso Indiscriminado de Adrenalina

Embora a adrenalina seja uma medicação valiosa em situações de emergência, sua administração deve ser feita com cautela. Os riscos graves estão associados ao uso inadequado, especialmente se administrada via intravenosa rápida ou intramuscular excessiva. Essas práticas podem levar a arritmias ventriculares, isquemia miocárdica ou hipertensão severa.

É essencial que o monitoramento cardíaco seja realizado durante o uso de adrenalina, uma vez que isso pode ajudar a detectar e prevenir complicações antes que se tornem críticas.

Conclusão

A morte do menino Benício destaca a necessidade de uma discussão mais ampla sobre o uso da adrenalina em casos de laringite. A administração segura e adequada dessa medicação é crucial para evitar tragédias semelhantes. Profissionais da saúde devem ser devidamente treinados e informados sobre as melhores práticas, priorizando sempre a segurança dos pacientes, especialmente em crianças.

Referências

  • Estudo no Hospital Universitário da USP sobre adrenalina inalatória em laringite.
  • Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul sobre nebulização com adrenalina.