Delegado Exonerado em Inquérito do Balão em SC; Entenda os Motivos

Exoneração do Delegado Responsável pelo Inquérito da Queda do Balão em Santa Catarina

No dia 7 de novembro de 2025, foi publicada no Diário Oficial do Estado a exoneração do delegado Rafael Gomes de Chiara, que estava à frente do inquérito sobre a queda de um balão em Praia Grande, Santa Catarina. O trágico acidente, ocorrido em 21 de junho de 2025, resultou na morte de oito pessoas e deixou 13 sobreviventes. A exoneração do delegado foi uma decisão do Governo do Estado, e a mudança de comando no inquérito será liderada agora pelo delegado André Coltro.

Motivos da Exoneração

A demissão de Rafael Gomes de Chiara foi justificada pelo Governo do Estado com base em infrações disciplinares que teriam ocorrido durante seu exercício na Central Regional de Plantão Policial de Itapema, em 2021. Entre as alegações, destaca-se um pedido feito pelo delegado à Justiça para a utilização temporária de um veículo apreendido pela polícia, que, segundo o documento oficial, foi utilizado de maneira inadequada durante seu período de férias.

Além disso, o delegado foi acusado de não comparecer a uma audiência da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, onde deveria prestar esclarecimentos sobre sua conduta. Outra infração mencionada foi uma publicação em suas redes sociais, onde ele criticou a Corregedoria, afirmando que a instituição servia para “perseguir policiais” e realizar “assédio moral”. Também foi relatado que Rafael se dirigiu de maneira desrespeitosa a uma autoridade responsável pela sindicância, alegando que não participaria “desse novo circo”.

Impacto da Demissão

Com a exoneração, Rafael Gomes de Chiara ficará impedido de ocupar cargos públicos por um período de seis anos. A nova liderança do inquérito, sob o comando de André Coltro, deverá dar continuidade às investigações sobre as causas do acidente, que, até o momento, não resultaram no indiciamento de qualquer pessoa, incluindo o piloto do balão.

O inquérito, que ouviu mais de 20 pessoas, incluindo sobreviventes e testemunhas, concluiu que não houve conduta dolosa ou culposa que causasse o incêndio em voo. Diversos laudos periciais foram realizados, abrangendo desde necrópsias até análises de substâncias nas vítimas e perícias de engenharia.

Posição da Defesa do Delegado

A defesa de Rafael, representada pela advogada Francine Kuhnen, declarou que a exoneração é uma “grave distorção institucional” que ocorreu após a conclusão do inquérito. Segundo a advogada, o delegado começou a sofrer ataques públicos e privados após a entrega do relatório final, e a decisão de demissão foi baseada em “fatos administrativos antigos que jamais justificaram uma punição extrema”.

A defesa enfatizou que tomará todas as medidas jurídicas necessárias para garantir os direitos do delegado, alegando que a movimentação administrativa coincidente com a divulgação do relatório à imprensa indica um uso político da máquina pública e uma tentativa de retaliação contra um agente que se negou a fabricar indiciamentos sem fundamentação legal.

Repercussão do Acidente

O acidente com o balão ocorreu por volta das 8h do dia 21 de junho de 2025, quando o piloto Elves Crescêncio e 20 turistas iniciaram um voo em um balão da empresa Sobrevoar. Durante a decolagem, após cerca de cinco minutos no ar, o piloto percebeu que o balão estava pegando fogo. Ele relatou que o incêndio teve início em um maçarico auxiliar que estava no chão do cesto, espalhando-se rapidamente pela capa de tecido que envolvia um cilindro de gás.

Após tentar usar um extintor de incêndio que não funcionou, Elves conduziu um pouso emergencial e avisou os passageiros para pularem assim que o balão tocasse o solo. Infelizmente, oito pessoas não conseguiram escapar a tempo, resultando na tragédia que continua a impactar a comunidade local e o estado de Santa Catarina.

Conclusão

A exoneração do delegado Rafael Gomes de Chiara e a continuidade do inquérito sobre a queda do balão são acontecimentos que trazem à tona questões sobre a responsabilidade e a conduta de autoridades em situações de crise. O ministério público do estado de Santa Catarina segue acompanhando o caso, que permanece em sigilo, enquanto a defesa do delegado se prepara para contestar administrativamente sua exoneração.