Congresso do Peru Aprova Impeachment do Presidente Interino José Jerí
No dia 17 de fevereiro de 2026, o Congresso do Peru tomou uma decisão significativa ao aprovar o processo de impeachment contra o presidente interino José Jerí. Ele se tornou o sétimo chefe de Estado do país a ser destituído em apenas dez anos, refletindo uma crise política que perdura desde 2016. A votação ocorreu com 75 votos a favor e 24 contra, com três abstenções, sendo necessário um mínimo de 58 votos para a destituição.
Contexto da Crise Política no Peru
A crise política no Peru é marcada por frequentes mudanças de liderança e instabilidade governamental. Desde 2016, o país tem enfrentado um cenário de conflitos entre um Parlamento forte e um Executivo fraco, exacerbado por uma fragmentação partidária e a ausência de consenso político. A situação se tornou ainda mais caótica com a destituição de Jerí, que estava no cargo desde outubro de 2025, após suceder a impopular Dina Boluarte, também afastada em meio a protestos contra a corrupção.
Motivos da Destituição
O impeachment de José Jerí foi fundamentado em alegações de má conduta e inadequação para o cargo. O presidente interino estava sob investigação por tráfico de influência e enfrentou críticas severas que resultaram em uma queda acentuada em sua popularidade, que passou de quase 60% para 37% em pouco mais de três meses. As investigações do Ministério Público revelaram que Jerí se reuniu secretamente com um empresário chinês, levantando suspeitas sobre suas ações enquanto estava à frente do governo.
Reações e Manifestações
Fora do Congresso, manifestantes expressaram seu descontentamento, exigindo a destituição de Jerí, afirmando que ele havia transformado o palácio presidencial em um “bordel”. A comerciante Maria Galindo, de 48 anos, declarou: “Ele não é nosso presidente, censurem agora, censurem imediatamente”. Essas manifestações refletem a crescente insatisfação popular com a situação política e a corrupção no país.
Transição de Poder
Após a destituição, o presidente interino do Congresso, Fernando Rospigliosi, anunciou que o cargo de presidente da República estaria vago. O Parlamento está programado para eleger um novo presidente interino, que assumirá automaticamente a presidência até 28 de julho de 2026. Este evento marca um momento inédito na história recente do Peru, onde o país ficará sem um chefe de Estado por mais de 24 horas.
Implicações para o Futuro Político do Peru
A destituição de Jerí não é apenas um episódio isolado, mas parte de um padrão de instabilidade que tem caracterizado a política peruana. Desde 2016, apenas um dos sete presidentes que ocuparam a cadeira presidencial conseguiu completar seu mandato. A combinação de um Congresso que legisla em favor de interesses próprios e a presença de grupos criminosos em expansão são fatores que agravam a situação.
Juanita Goebertus, diretora para as Américas da Human Rights Watch, comentou: “A democracia peruana está ruindo. As constantes mudanças de presidentes são apenas a ponta do iceberg em um país onde o Congresso legisla sistematicamente em favor do crime organizado”. Essa afirmação ressalta a necessidade de reformas e um diálogo político mais efetivo para restaurar a confiança nas instituições peruanas.
Desafios e Envolvimento da Comunidade Internacional
Nos próximos meses, o Peru enfrentará desafios significativos. Com as eleições marcadas para abril de 2026, o novo presidente interino terá a tarefa de estabilizar o governo e restaurar a confiança pública. A comunidade internacional também está atenta às desenvolvimentos no país, uma vez que a estabilidade política é crucial para o progresso social e econômico do Peru.
À medida que o país se prepara para escolher um novo líder, questões sobre corrupção, governança e a necessidade de fortalecer instituições democráticas permanecem no centro do debate público. A situação atual é um lembrete da importância de um governo transparente e responsável, capaz de atender às necessidades e expectativas do povo peruano.