Brasil Condena Ataque dos EUA à Venezuela na ONU
No dia 5 de janeiro de 2026, o embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Sérgio Danese, fez uma declaração contundente no Conselho de Segurança da ONU, condenando a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. A operação, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, foi classificada por Danese como uma violação grave da soberania venezuelana.
Contexto e Motivos da Condenação
A reunião do Conselho de Segurança foi convocada de forma emergencial pela Colômbia, em resposta aos eventos que ocorreram no sábado, dia 3 de janeiro. Durante sua fala, Danese destacou que ações de intervenção armada contra a soberania de qualquer nação devem ser “condenadas com veemência”. Ele argumentou que a justificativa de que “os fins justificam os meios” carece de legitimidade e abre precedentes perigosos.
O embaixador brasileiro enfatizou que tal raciocínio poderia permitir que nações mais poderosas decidissem o que é justo ou injusto, colocando em risco a soberania dos países mais vulneráveis. Danese afirmou: “O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência”.
A Reação do Governo Brasileiro
O posicionamento do governo brasileiro foi reforçado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, no mesmo dia do ataque, expressou em suas redes sociais que os bombardeios em território venezuelano e a captura do presidente constituem uma grave afronta à soberania da Venezuela. Lula destacou que esses atos ultrapassam uma linha inaceitável e representam um precedente extremamente perigoso para a comunidade internacional.
Princípios do Direito Internacional
Durante a reunião, Danese lembrou que a Carta das Nações Unidas proíbe o uso da força contra a integridade territorial de qualquer Estado e que a independência política deve ser resguardada. Ele fez um alerta sobre intervenções armadas passadas na América Latina e no Caribe, afirmando que o uso da força evoca capítulos históricos que acreditávamos superados, colocando em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz.
O Papel do Conselho de Segurança
Danese também pediu que o Conselho de Segurança assuma sua responsabilidade na resolução do conflito. Ele declarou: “Este e outros casos de intervenção armada devem ser condenados veementemente. É necessário que este Conselho reaja com determinação, clareza e obediência ao direito internacional, para evitar que a lei da força prevaleça sobre a força da lei”.
Críticas da ONU e Reações Internacionais
A subsecretária-geral para assuntos políticos e de construção da paz da ONU, Rosemery DiCarlo, que representou o secretário-geral António Guterres, também criticou as ações militares dos EUA. Ela expressou preocupação com o fato de que “as leis do direito internacional não foram respeitadas”. DiCarlo enfatizou a necessidade de respeito aos direitos humanos e à soberania do povo venezuelano, pedindo que a comunidade internacional atue com solidariedade e respeito às leis de coexistência pacífica.
Reações da Rússia e China
O embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, pediu a liberação de Maduro, acusando os EUA de hipocrisia e chamando a operação de criminosa. Ele advertiu que as ações dos EUA estão promovendo um retorno ao neocolonialismo e imperialismo. A China também se manifestou, condenando o ataque e pedindo a libertação de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, afirmando que os EUA não têm o direito de atuar como polícia internacional.
A Defesa dos EUA
Em contrapartida, o embaixador dos EUA, Mike Waltz, justificou a ação como um cumprimento da lei, alegando que Maduro era um fugitivo da Justiça americana. Ele o descreveu como um “narcotraficante” e um “presidente ilegítimo”, afirmando que a Venezuela tem um histórico de manipulação do sistema eleitoral.
Pedido de Medidas Emergenciais pela Venezuela
O embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, pediu medidas emergenciais em resposta ao ataque, incluindo o respeito aos direitos de Maduro e de sua esposa, bem como a libertação dos cidadãos venezuelanos. Moncada solicitou que o Conselho condenasse o uso da força e reafirmasse a ilegalidade na aquisição de território ou recursos naturais da Venezuela, além de reforçar a proteção da população e a restauração da ordem no país.
Essa situação ressalta a complexidade das relações internacionais e a importância de se respeitar a soberania dos países, especialmente em um mundo onde as tensões geopolíticas continuam a crescer.