Habemus Chester A Curiosa História do Frango Gigante de SC

Habemus Chester: A História do Frango Gigante de Santa Catarina

O Chester, uma ave que se tornou sinônimo de ceias natalinas no Brasil, possui uma origem curiosa e pouco conhecida. Desenvolvido no Meio-Oeste de Santa Catarina nos anos 1980, o Chester foi criado como uma alternativa ao tradicional peru, trazendo inovação e sabor às mesas brasileiras durante as festas de fim de ano.

A Origem do Chester

O Chester é, na verdade, uma marca de um frango de grande porte, resultado de melhoramento genético. Essa ave, que pode pesar entre 4 kg e 4,5 kg, é reconhecida por ter um volume considerável de carne no peito e nas coxas, características que foram especialmente selecionadas para consumo em datas festivas.

A história do Chester teve início no final dos anos 1970, quando a empresa Perdigão decidiu desenvolver uma nova ave que pudesse competir com os perus vendidos pela Sadia, sua rival na época. Para isso, a Perdigão enviou técnicos aos Estados Unidos para encontrar uma alternativa viável. Durante essa missão, foram trazidos entre 3 mil e 5,5 mil ovos com uma linhagem de frangos que apresentavam um desenvolvimento muscular superior.

Desenvolvimento e Adaptação

Os primeiros ovos chegaram ao Brasil e foram criados em uma granja localizada em Videira, no interior catarinense. O veterinário Vitor Hugo Brandalise, que estava recém-formado, foi encarregado de desenvolver uma ração adequada para os novos frangos. A dieta inicial era à base de milho e soja, mas os resultados não foram os esperados, com as aves demorando até 84 dias para atingir o peso desejado.

Além disso, a seleção inicial priorizava o crescimento da carne, mas os ossos não acompanhavam o desenvolvimento, resultando em aves que não conseguiam se manter de pé. Após superar dificuldades, como surtos de doenças, a equipe técnica, incluindo zootecnistas e apoio de universidades, conseguiu otimizar o processo de produção. Com ajustes na alimentação e manejo, a ave passou a ser abatida em cerca de 65 dias, com um custo de produção que permitiu a competição direta com o peru da Sadia.

O Lançamento e o Sucesso do Chester

O lançamento oficial do Chester ocorreu em 1982, com uma campanha de marketing que ficou famosa. O slogan “Habemus Chester” se tornou um ícone da publicidade brasileira, e a aceitação do produto foi rápida devido à sua carne macia e saborosa, conquistando o paladar dos brasileiros.

Com o passar dos anos, outras empresas como a Seara e a Sadia começaram a produzir aves semelhantes, mas com marcas diferentes, como o Fiesta e o Supreme. A rivalidade que deu origem ao Chester culminou em 2009, quando a Perdigão e a Sadia se fundiram, formando a BRF, uma das maiores empresas de alimentos do mundo.

Curiosidades e Mitos sobre o Chester

Um dos mitos mais persistentes sobre o Chester é a crença de que hormônios são usados para acelerar seu crescimento. No entanto, essa prática é proibida no Brasil e tecnicamente inviável. Segundo especialistas, a genética do frango já permite que ele atinja um peso significativo em um período relativamente curto, sem a necessidade de hormônios.

A produção atual do Chester se concentra em Goiás, onde a linhagem desenvolvida em Santa Catarina continua a ser cultivada. O Chester moderno mantém o peso de 4 a 4,5 quilos e é criado especificamente para as festividades de Natal, seguindo práticas de manejo que garantem sua qualidade.

O Chester Hoje

Mais de quatro décadas após seu desenvolvimento, o Chester permanece como uma tradição nas ceias natalinas brasileiras. A ave representa não apenas um prato saboroso, mas também a história de inovação e superação da agroindústria catarinense. A cada Natal, o Chester continua a despertar a curiosidade e o apetite dos consumidores, consolidando seu lugar nas mesas do Brasil.

Referências

Essas informações foram baseadas em relatos de especialistas e na história da Perdigão, contribuindo para o entendimento sobre a importância do Chester na cultura alimentar brasileira.