Caso Catarina: Cronologia do Crime na Trilha de Florianópolis

Caso Catarina: A cronologia do crime que levou à morte de estudante em trilha de Florianópolis

Detalhes da investigação policial revelam como foi o trágico dia em que a estudante de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Catarina Kasten, de 31 anos, foi assassinada em uma trilha na Praia do Matadeiro, em Florianópolis. O caso, que chocou a comunidade local, completa uma semana desde o acontecimento.

Quem era Catarina Kasten

Catarina Kasten era uma dedicada estudante de mestrado em Estudos Linguísticos e Literários na UFSC e também exercia a profissão de professora de inglês. Nascida em Joinville, ela morava na Praia do Matadeiro, onde apreciava a natureza e o ambiente ao redor. Recentemente, ela e seu marido, Roger Gusmão, estavam animados com planos de construir uma casa na Praia dos Açores, programada para janeiro do próximo ano. Infelizmente, esses planos foram abruptamente interrompidos pela tragédia.

Cronologia do crime

Manhã de sexta-feira, 21 de novembro

06h05min – Câmeras de segurança localizadas na entrada da trilha capturaram um homem usando uma camiseta azul, calça e tênis, escondendo-se atrás de uma lixeira antes de seguir em direção à Praia do Matadeiro.

06h50min – Catarina saiu de casa com destino a uma aula de natação na Praia da Armação.

06h53min – O mesmo homem foi filmado correndo pela areia, sem camisa e usando bermuda branca, aproximadamente 30 segundos após a passagem de Catarina.

Ainda pela manhã, duas turistas relataram a presença de um homem que as observava enquanto caminhavam pela trilha. Elas conseguiram tirar fotos dele, que mais tarde ajudaram na identificação do suspeito.

Por volta das 9h, o marido de Catarina começou a se preocupar, pois ela ainda não havia retornado da aula de natação.

Tarde de sexta-feira

12h – Roger, o marido de Catarina, recebeu mensagens do grupo de natação informando que os pertences dela foram encontrados na trilha, o que o deixou alarmado. Ele entrou em contato com uma das professoras que confirmou que Catarina não havia comparecido à aula.

13h09min – A Polícia Militar foi acionada pelo marido e pela família de Catarina.

Dois homens se aproximaram dos policiais, informando que haviam encontrado um corpo na trilha. As imagens das turistas foram compartilhadas entre os moradores, levando ao reconhecimento do homem registrado nas câmeras de segurança.

22h40min – O suspeito, um jovem de 21 anos, foi preso em flagrante e confessou o crime, alegando que teria sido influenciado por “vozes na cabeça”. Ele admitiu ter estuprado Catarina enquanto ela ainda estava viva e, em seguida, estrangulou-a, arrastando o corpo para a mata para ocultar o crime.

Durante a abordagem, os policiais encontraram arranhões nas costas do suspeito e as roupas usadas durante o crime foram localizadas em sua residência.

Investigações adicionais

Além do assassinato de Catarina, o suspeito está sendo investigado por um crime anterior. Em 2022, ele foi acusado de estuprar uma idosa de 69 anos enquanto realizava serviços de jardinagem em uma residência no bairro Açores. Na época, o jovem tinha apenas 17 anos. O caso havia sido arquivado por falta de suspeitos, mas agora será reaberto em virtude da nova acusação.

Ação comunitária e homenagens

Em resposta ao crime brutal, uma petição foi criada para mudar o nome da Praia do Matadeiro para Praia Catarina Kasten. A proposta, que já conta com mais de 6 mil assinaturas, visa homenagear a estudante e afirmar publicamente que a vida das mulheres é valiosa. Os apoiadores da petição ressaltam que a mudança de nome não pretende apagar a história da praia, mas sim adicionar uma nova dimensão de significado ao local. O texto da petição destaca que Catarina não será esquecida e que sua memória permanecerá viva, simbolizando a luta contra a violência de gênero.

Situação do suspeito

Após sua prisão, o suspeito passou por uma audiência de custódia e teve a prisão mantida pela Justiça. Ele é natural de Viamão, no Rio Grande do Sul, e reside na região Sul da Capital desde 2019. A defesa está sendo conduzida pela Defensoria Pública de Santa Catarina.

O caso de Catarina Kasten serve como um lembrete doloroso da necessidade de enfrentar a violência contra as mulheres e da importância de se promover a segurança nas comunidades. A luta por justiça e a preservação da memória da vítima são essenciais para que tragédias como essa não se repitam.