JBS Retoma Atividades Após Acúmulo de 7,5 Milhões de Frangos em Santa Catarina
A JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, voltou a operar sua unidade em Itaiópolis, Santa Catarina, após uma suspensão determinada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) devido a questões ambientais relacionadas à poluição de um rio na região. A suspensão das atividades ocorreu na última sexta-feira, dia 7 de novembro de 2025, e levou ao acúmulo alarmante de 7,5 milhões de frangos nas granjas locais.
Contexto da Suspensão
O problema surgiu quando o rio São Lourenço, que passa por Mafra, foi tomado por uma abundante vegetação aquática conhecida como “tapete verde”. Essa condição é frequentemente associada a altos níveis de poluição, especialmente devido ao excesso de nutrientes como nitrogênio e fósforo, além de agrotóxicos. A presença dessa vegetação indicou um grave problema ambiental, levando o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a investigar a situação.
Decisão do Tribunal de Justiça
Na quarta-feira, dia 12 de novembro de 2025, o TJSC autorizou a JBS a reiniciar suas atividades sob a condição de que a empresa seguisse rigorosamente as normas de qualidade ambiental estabelecidas. A autorização foi concedida por um período excepcional de 40 dias, com o objetivo de permitir o abate das aves que estavam alojadas nas granjas, evitando um colapso ainda maior na produção.
Após o término desse prazo, a JBS deverá apresentar um plano de ação ao Instituto Nacional do Meio Ambiente, detalhando alternativas para a solução definitiva do lançamento de efluentes em corpos d’água.
Compromisso com a Sustentabilidade
Em resposta às preocupações levantadas, a JBS afirmou que sua unidade em Itaiópolis opera regularmente e mantém todas as licenças ambientais necessárias. A empresa reafirmou seu compromisso com a legislação ambiental e com as comunidades locais onde atua, garantindo que suas operações estejam alinhadas com as normas dos órgãos competentes.
Investigação e Ações do Ministério Público
A investigação do MPSC revelou que a poluição do rio era resultado não apenas das atividades da JBS, mas também da empresa Seluma, responsável pelo aterro sanitário em Mafra. O MPSC ajuizou quatro ações civis públicas, duas delas direcionadas especificamente à JBS e à Seluma, visando a cessação imediata das atividades poluentes.
Além disso, as ações incluem pedidos de indenização por danos ambientais, sociais e morais, com multas diárias significativas para as empresas envolvidas em caso de descumprimento das ordens judiciais.
Medidas Necessárias para Recuperação Ambiental
O Ministério Público também requisitou ações corretivas para a recuperação do ecossistema afetado, incluindo:
- Intensificação da fiscalização ambiental por parte do Instituto de Meio Ambiente (IMA) e do município de Mafra;
- Análises frequentes da qualidade da água do rio;
- Elaboração de planos de recuperação ambiental para restaurar a área degradada;
- Revisão das licenças ambientais de empresas operando nas proximidades do rio São Lourenço.
Essas medidas são essenciais para garantir que situações similares não se repitam no futuro e para proteger a saúde ambiental da região, que já foi gravemente impactada.
Considerações Finais
A retomada das atividades da JBS em Itaiópolis é um passo importante para a empresa, mas também levanta questões cruciais sobre a responsabilidade ambiental das indústrias. A situação evidencia a necessidade de um equilíbrio entre a produção agrícola e a preservação ambiental, sendo fundamental que as empresas operem de maneira sustentável e em conformidade com a legislação vigente.
À medida que as investigações continuam, a expectativa é de que ações concretas sejam implementadas para evitar a poluição e proteger os recursos hídricos da região, garantindo um futuro mais sustentável para as gerações vindouras.