14/05/2010
No twitter, a liberdade de dizer
Texto de Carlos Chaparro

Até os ditadores gostam
das liberdades do twitter


Pelo seu twitter, o próprio Hugo Chávez deu a notícia ao mundo, em primeira mão, na madrugada de 13 de maio: “Com pesar informo que a plataforma de gás de Aban Pearl afundou há poucos momentos”. Em duas ou três frases de até 140 caracteres, o presidente venezuelano pautou as redações do planeta - e para tais usos político-institucionais, de viés ditatorial, serve também o twitter.

Escrevo isso com alguma melancolia. Porque o twitter veio ao mundo anunciando-se como a mais fascinante ferramenta tecnológica da liberdade de expressão, para que as pessoas, como pessoas, simplesmente como pessoas, pudessem individualmente espalhar ao mundo as suas falas de mortais comuns.

Graças ao twitter, os terráqueos do pós-guerra conseguiram, finalmente, viabilizar o direito à informação, que vem a ser o direito que todo o homem tem à ”liberdade de opinião e de expressão”. Direito no qual se inclui não apenas a liberdade de, sem interferências, cada cidadão “receber informações e idéias”, mas também a liberdade individual de transmitir as próprias informações e opiniões, “por quaisquer meios, independentemente de fronteiras". (ver Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos).

Antes das chamadas “mídias sociais” (nas quais o twitter é a estrela maior), as tecnologias de transmissão instantânea e universal de fatos, idéias e informações favoreceram e incrementaram o lado institucional da sociedade – empresas, governos, partidos políticos, grupos e organizações cuilturais, igrejas, associações de todos os tipos, organizações não-governamentais etc.. Os sujeitos protagonistas  da narração jornalística deixaram de ser pessoas e passaram a ser instituições. 

O mundo institucionalizou-se, e o noticiário jornalístico nos dá conta disso, diariamente.

Na fase mais recente, porém, com as mídias sociais, em especial com a popularização do twitter, o cidadão comum conseguiu, finalmente, incluir-se no mundo digital dominado pelas instituições e pelos grupos organizados.

Acontece que os sujeitos-instituições, talvez assustados com o “poder de dizer” que o twitter garante individualmente às pessoas, já começaram a inventar formas e até a desenvolver políticas de apropriação do twitter. O verborrágico senhor Chávez serve de exemplo e prova.

Mas nem vale a pena ir à Venezuela atrás de exemplos nem de provas. Porque de exemplo e prova servem os nossos três pré-candidatos à Presidência da República (Dilma, Marina e Serra, em ordem alfabética). Cada um a seu modo, os três já disputam votos na arena digital, usando o twitter como ferramenmta  tática e estrategicamente operacionalizada por equipes profissionais de jornalistas e marqueteiros muito bem pagos.

Tanto quanto os políticos, as instituições e as empresas também usam o twitter em escala crescente e de forma cada vez mais profissionalizada. Já existem, até, os twitters corporativos e os twitters de eventos.

Ainda assim, o twitter é, e continuará a ser, a mídia digital das pessoas, para o acesso individual à liberdade de expressão. Felizmente, todos caberão no twitter, que é espaço infinito e indivisível.

Nas ousadias dos meus 76 anos, também eu abri um postigo nesse espaço de interlocução a um tempo mágica e maluca. Por enquanto, postigo mal  usado,  porque ainda não sei bem por que e para que quero estar no twitter.

Mas me aguardem, porque em breve resolverei essa dúvida.

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Comentários (1):
Comentário por Rosângela Maria Pessanha de Souza
Te leio não só pelo que escreves, mas também pelo que pretentes dizer. Suas pretenções são lindas... seu" não dizer" diz tanto... Te leio com alegria e prazer porque vejo verdade nas suas palavras. E isso é muito bom!
 
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"Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras."
(Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos)