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| 19/03/2010 |
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Texto de
Carlos Chaparro
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O "Efeito Condorcet"
assusta os marqueteiros
Quem entrar no novo e-book da Politicom encontrará, na página 13, um artigo adaptável às atuais emoções da briga eleitoral entre Serra e Dilma.
No texto, o professor e pesquisador Isaac Epstein ajuda-nos a entender as complexidades de um fenômeno chamado “Efeito Condorcet”. Já ouviu falar? Não? Pois garanto que, embora complicado e já secular, trata-se de assunto atualíssimo, do qual todos deveríamos entender um pouco.
Ainda que citado aqui apenas como exemplo da qualidade editorial do novo e-book da Politicom, a verdade é que eu próprio me interessei, bastante, por esse tal “Efeito Condorcet”. Por isso alongo um pouco mais a conversa sobre o assunto.
Pelo nome, aos não especialistas parece até coisa distante da nossa realidade política. Pois lhes digo que o “Efeito Condorcet” é um fenômeno comportamental que preocupa bastante os marqueteiros envolvidos nas nossas próximas eleições - tanto os bons quanto os enganadores, que os há por aí.
Quem tipificou o fenômeno, o teorizou e lhe legou nome foi o filósofo e matemático francês Marie-Jean Antoine Nicolas de Caritat, marquês de Condorcet, um iluminista que, ao aderir à Revolução Francesa, agregou-lhe ideias democráticas avançadas. Ideias tão avançadas que o levaram à prisão, onde morreu, provavelmente assassinado pelos radicais jacobinos.
Do intenso envolvimento do cientista Condorcet com a política resultou o desenvolvimento um método de aplicaçãoo de teorias matemáticas na leitura dos cenários político-eleitorais. Para legar ao conhecimento organizado o método criado, Marie-Jean escreveu o “Ensaio na aplicação de análises para a probabilidade das decisões da maioria”, no qual sistematizou a lógica das relações instáveis entre a vontade individual dos participantes de um grupo e as formas de construção das decisões coletivas nesse mesmo grupo.
Nos paradoxos desse processo de “disjunções” (afinidade x oposição, união x separação) entre as preferências do grupo e as preferências individuais, agentes racionais podem tomar decisões coletivas irracionais – ou vice-versa, ouso acrescentar.
E temos aí, em explicação precária, os contornos daquilo que os especialistas em marketing político chamam de “Efeito Condorcet”.
Vale uma ilustração.
Lembram-se da derrota de Fernando Henrique Cardoso para Jânio Quadros, nas eleições de 1985, em que disputavam a Prefeitura de São Paulo?
FHC era favorito, tão favorito, que até sentou na cadeira de Prefeito na véspera da eleição. Havia a convicção coletiva de que o sociólogo seria o prefeito eleito nas primeiras eleições diretas pós-1964. Aconteceu, porém, que os eleitores, com a sua vontade individual protegida pelo sigilo do voto enrustido, deram a vitória a Jânio – cujo primeiro ato, ao assumir, foi desinfetar a cadeira onde FHC havia se sentado indevidamente.
O histórico episódio, creio eu, exemplifica bem o “Efeito Condorcet” – e se escrevi besteira, que Isaac Epstein me desculpe.
***
Falta proclamar um “Viva o Socialismo” – porque esta coisa que a Internet nos propicia, da difusão livre, gratuita e universal de conhecimentos e idéias, é socialismo da melhor cepa – e pouco importa, como diria e escreveu Darcy Ribeiro, se esse socialismo nos chega pela via revolucionária ou pela via do capitalismo.
Por falar em Darcy Ribeiro, não resisto à tentação de evocar a maior das suas ousadias intelectuais – a de nos ensinar que os avanços da civilização se dão por revoluções tecnológicas, não por luta de classes.
E quem duvida que leia ou releia o Processo Civilizatório, obra maior de Darcy, da qual também extraí a sua lúcida predição da marcha para o socialismo.
E mais não digo nem escrevo. Pelo menos, por hoje.
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| Comentário por
Isaac Epstein
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| Caro Chaparro Você captou muito bem a essencia do "Efeito Condorcet" quando escreveu: "agentes individuais racionais podem tomar decisões coletivas irracionais" Se o episódio que v. menciona, da disputa eleitoral pela Prefeitura entre Fernando Henrique e Janio Quadros na década de 80, se enquadra no efeito Condorcet (o que não deixa de ser uma boa pergunta) isto é uma questão a ser decidida por um trabalho, que incluiria uma recuperação dos resultados das pesquisas de intenção de voto, número de candidatos, partidos, na ocasião, etc. Se bem sucedida a tese, poderia se chamar "Efeito Fernando Henrique" Aliás o tema é um belo exemplo da interface entre Teorias da Comunicação de Massa e a Ciencia Política, linha de pesquisa que Adolpho Queiroz desenvolve há vários anos na UMESP com dezenas de dissertações e teses defendidas Um forte abraço e muito obrigado pelo comentário, Isaac Epstein
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| Comentário por
Adolpho Queiroz
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Chaparro, fico-lhe imensamente grato pelos comentários sobre o nosso recem lançado ebook sobre "Marketing politico internaiconal". Vou indicar aos diretores e sócios da POLITICOM, bem como ao prof. Epstein, que certamente ficará honrado com os seus comentários. Abração,
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CICV, ABRAJI e OBORÉ abrem inscrições para o novo módulo do Projeto Repórter do Futuro sobre jornalismo em situações de conflitos armados
Estudantes da graduação interessados nesta área do jornalismo podem inscrever-se aqui, gratuitamente, até 20 de setembro. O Encontro de Seleção será dia 25 de setembro, sábado, das 10 às 13h, na Matilha Cultural, em São Paulo. Na ocasião, Felipe Donoso, chefe da delegação do CICV para a Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, fará uma apresentação e em seguida responderá perguntas de todos os inscritos.
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