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| 30/01/2010 |
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Texto de
Carlos Chaparro
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Calazans Fernandes,
notável nordestino
Já bisavô, e depois de longo sofrimento, morreu na madrugada de quarta-feira passada, 27 de janeiro de 2010, e foi cremado no dia seguinte, o notável nordestino Francisco Calazans Fernandes, que fez história de protagonista no jornalismo brasileiro (na foto, em tempos repórter). Há quem também o chame de escritor. Mas mesmo nos livros escritos, era o jornalista empolgado e empolgante que se caldeava à obra, e lhe impunha paixão narrativa sustentada em requintes técnico-artísticos de um estilo próprio.
Não gosto de necrológios nem sei escrevê-los. Porque, quando se escreve sobre pessoas como Calazans, ainda que tenham morrido, não é da morte que devemos falar, mas da vida. Por isso vos informo, caros leitores, que além da pequena Lys, a bisneta que mal conheceu, Calazans Fernandes deixou-nos seis filhos multiplicados em 12 netos, para a continuidade dos sonhos inacabados que o moveram em vida. Os sonhos de melhorar o mundo.
À prole caberá também, e prioritariamente, a missão de proteger e consolar dona Iris, que acompanhou e completou Calazans na intensa parceria de amantes em que se enredaram, durante 56 dos 81 aos em que ele por aqui andou.
Fomos amigos e colegas. Dele, poderia contar mil histórias dos brilhos da mente e da vida vivida - como homem, cidadão, brasileiro, nordestino, educador e jornalista. Prefiro homenageá-lo com a transcrição de um texto que escrevi anos atrás, para socializar um pouco do muito que com ele aprendi, nas artes e nos deveres do jornalismo.
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| 30/01/2010 |
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Texto de
Carlos Chaparro
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Linguagem gráfica,
artes de interlocução
Leitor não compra jornal para apreciar desenho gráfico, mas para ser bem informado sobre o que lhe interessa. As soluções gráficas devem servir para que o leitor descubra mais facilmente, com mais verdade e prazer estético, o que lhe interessa em cada edição.E aí está definido o papel da criatividade gráfica: evidenciar ao leitor o que lhe interessa e produzir estímulos comunicativos que facilitem o encontro com os conteúdos.
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| 21/10/2009 |
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Corrupção,
praga maldita
Caro amigo João Inocêncio (foto) :
Permita que traga a este Postigo algumas das nossas preocupações comuns, com as quais alimentamos conversas durante o cafezinho da tarde (quando tal é possível), na sua bem afamada doceria. Como você sabe, João, este é um Postigo sempre aberto a diálogos sem fronteiras. Por isso, o que aqui falarmos ficará exposto ao mundo. Ao mundo pertencerá. E imagino que você nada tenha contra a partilha de idéias com quem por elas se interessar, em qualquer parte do planeta.
Pois se ainda não sabe, fique sabendo, amigo João: internautas de pelo menos 50 países entram regularmente neste nosso blog. Entre eles, gente até da Indonésia – e de Singapura, Israel, Canadá, Portugal, Coréia do Sul, México, França, Índia, Alemanha, Rússia, Hungria... e de mais algumas dezenas de terras. Brasil incluído, claro, respondendo por mais de dois terços da platéia que nos lê.
Falemos, pois, de Brasil. Um país maravilhoso, mas de povo sofredor. Um país rico, mas que tem no gigantismo da pobreza e da miséria a cicatriz marcante da sua fisionomia social. Um país de instituições democráticas consolidadas, mas que continua a ser tolerante com os crimes e os costumes da corrupção. E nada é mais anti-democrático, neste país de tão belos sonhos e tão generosas riquezas naturais, do que esse odioso ralo de roubalheira e desonestidade, o ralo da corrupção, pelo qual, em acordos secretos entre corruptos e corruptores, se vão recursos que faltam na educação, na saúde, na infra-estrutura, na habitação, nas políticas públicas de criação de empregos, e em tantas outras frentes de carências que não conseguimos superar.
É verdade que, no correr das conversas informais do dia a dia, todos nos queixamos da corrupção. Em voz alta, lamentamos que ela exista e tanto deforme o Brasil. Porém, muitos desses que em voz alta falam contra a corrupção, baixam a voz, assumem silêncios diante das situações concretas, ajudando a alimentar a endemia do peculato e de outras formas corruptas de agir - e não apenas por comportamentos de tolerância passiva, mas, o que é pior, participando frequentemente do jogo sujo das trocas espúrias.
Os nossos cinco séculos de Nação nos habituaram a essa endemia histórica a que damos o nome de “corrupção”. Endemia sustentada, ao longo dos tempos, por uma lógica terrivelmente sedutora – esta, que está na boca de todos os corruptos e corruptores do pequeno varejo das desonestidades: “Já que os grandes, lá em cima, roubam milhões e nada acontece com eles, por que nós, aqui em baixo, não podemos fazer o jogo sujo dos tostões?” - e nos dói a alma, de vergonha, vermos que entre os que assim agem ou toleram há gente com responsabilidades de pais e educadores, de quem se deveria esperar o bom exemplo.
No mínimo, o bom exemplo.
Felizmente, meu caro amigo João Inocêncio, a corrupção graúda está sendo hoje combatida, já com bons resultados, por instituições de Estado constitucionalmente independentes – o Ministério Público, a Polícia Federal e segmentos importantes do Judiciário. Mas as práticas miúdas da corrupção, João, essas são erva daninha de difícil combate. Um câncer repugnante no tecido social. Câncer que terá de ser enfrentado, prioritariamente, por uma educação construtora de novos padrões de civismo nos comportamentos individuais. E aí, João, obrigações particulares, mas convergentes, recaem sobre pais e professores, de quem se espera que sejam educadores, nas escolas e nas famílias. Para que crianças e jovens, os nossos brasileirinhos de hoje, façam do Brasil a Nação que nós já deveríamos ter feito.
Penso, prezado amigo, que não deveremos temer o debate. Ao contrário: há que provocá-lo. Por isso, trouxe hoje o assunto ao nosso diálogo, neste Postigo escancarado a todos. E o desafio que lhe deixo, João, é o de dar prosseguimento a esta conversa, aí na doceria e no ambiente artístico por onde você circula tão à vontade e de forma tão criativa. Da minha parte, tentarei fazer o mesmo nos ambientes em que possa ser ouvido.
Grande abraço!
Carlos Chaparro
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