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Postigo do Diálogo

  • Jornalismo preguiçoso

    Publicado por Carlos Chaparro em 25/02/2016

    Jornalismo preguiçoso
    na cobertura da educação

    Em sua coluna de ontem (domingo, 22 de junho), Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de S. Paulo, trata de um assunto muito interessante, que ele chamou de “Jornalismo da segunda vida”, para identificar a liberdade de dizer do mundo virtual, no qual os valores  tradicionais da cultura jornalística deixaram de ter significado, em especial o do zêlo pela veracidade.

    Escreverei sobre isso amanhã.

    Mas na mesma coluna do ombudsman da Folha há uma notinha crítica que faço questão de transcrever:

    A Folha está cobrindo mal a greve dos professores paulistas. Precisa ouvir mais fontes, analisar com profundidade os temas em debate, relatar com apuro a situação das escolas. Tem sido superficial, burocrática e acrítica.”

    Carlos Eduardo tem razão. Os jornais registram os fatos que afloram no dia-a-dia na materialidade da greve, sem ir além disso. Se investigassem um pouco mais e melhor, descobririam que a situação das escolas estaduais da periferia dá inteira razão aos professores, em seus clamores por mais qualidade e seriedade na administração da educação paulista. Se fossem lá, às escolas, onde as coisas acontecem, e se fizessem, por exemplo, um confronto de qualidade do ensino nas escolas municipais e estaduais, logo descobririam que muita coisa precisa mudar no ensino estadual, se não na filosofia do projeto, pelo menos na sua aplicação em ações, verdadeiramente lamentável. Posso garantir que o ambiente nas escolas estaduais da periferia é verdadeiramente desolador.

    É verdade que o Sindicato dos Professores, à frente da greve, não tem sabido incorporar ao seu discurso nem razões nem argumentos que exponham as feridas maiores da educação estadual paulista. Fica no pobre discurso do confronto classista, esvaziado pela repetitiva lenga-lenga de um sindicalismo envelhecido e pelo aumento salarial recentemente concedido.

    Mas a pobreza institucional e discursiva do sindicato não pode servir de desculpa para a falta de tesão da reportagem dos jornais, em geral, e da Folha, em particular, na cobertura da greve dos professores.

    Carlos Chaparro

     

     

  • Londres à vista…

    Publicado por Carlos Chaparro em 25/02/2016

    Daqui, enxergo Londres…

    Os tempos da infância, de quase 70 anos atrás, pouco têm a ver com este mundo que hoje me seqüestra em horários, tecnologias, grades de vários tipos, congestionamentos, desconfianças…  Felizmente, nem só. Em meio às pressões e contradições macro-urbanas que me controlam, também há prazeres antes inimagináveis. Como este, de ter um blog, e por ele dizer ao mundo o que bem quero.

    De qualquer forma, algumas coisas da infância são sempre de boa lembrança. Os postigos, por exemplo. Naqueles tempos, as portas tinham postigo, nome dado à janelinha que do lado de dentro a gente abria, para ver quem do lado de fora batia. Ou chamava. Ou passava.

    Postigo era palavra comum, tão comum quanto os próprios postigos. Hoje, a palavra continua no dicionário. Mas sem uso. Porque os postigos deixaram de existir. Em vez deles, temos olhos mágicos, câmeras escondidas, bisbilhotices em circuito fechado, porteiros vigilantes, interfones, alarmes, cercas elétricas, sistemas sofisticados de vigilância à distância…

    E medos.

    Pois nos tempos de antes abríamos sem medo o postigo que nos conectava ao “lá fora”. Pelo postigo aberto, da casa se enxergava a rua, da rua se enxergava a casa. E assim se davam boas conversas.
    É o que espero aconteça neste postigo simbólico, postigo virtual de diálogo pelo qual digo e me exponho. Mas pelo qual também enxergo e capto o mundo.

    Querem saber?

    Pelos milagres da rede, daqui vejo Londres, mesmo sem lá estar. Daqui, quem diria, posso alcançar o Tamisa, navegar nele. E conversar com minha amiga Norma Alcântara, que no verão londrino dá voltas à vida, tecendo reelaborações.

    Olha para cá, Norma! O postigo está aberto. E aberto permanecerá, para conversarmos amanhã. Sobre as novidades do Brasil, naturalmente…

    Abraços, Norma. E até amanhã.

                                                          Carlos Chaparro

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