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SEM MEIAS PALAVRAS

AUDÁLIO, CLAMOR DE VIDA!

Na tarde de quarta-feira, 30 de maio, Audálio Dantas ludibriou o câncer com que há meses lutava e escapou dele. Ausentando-se fisicamente deste mundo, libertou-se, enfim, dos curtos horizontes físicos que a doença lhe impunha. E deixou para nós um clamor de vida em ideais, razões, escolhas, testemunhos e ações de lutas por democracia, justiça e fraternidade.

Na fidelidade a esse legado, se assim quisermos, Audálio continuará vivo. Por isso e para isso, mantenho no ar, e na íntegra, o vídeo ao lado, produzido em dezembro de 2017, mas plenamente atual e verdadeiro.

Viva Audálio!

 

 

VIVA AUDÁLIO DANTAS

Cortes & Recortes

  • Um equívoco chamado imparcialidade

    Certa vez, já lá se vão alguns anos, ao gravar depoimento para um vídeo sobre comunicação institucional, quase escandalizei os entrevistadores ao rejeitar a crença generalizada de que o jornalismo deve ser imparcial.

     

    Olhos esbugalhados, exclamaram eles: “Como?!”

     

    Tive de me esforçar para sustentar uma outra crença, menos generalizada, mas que é a minha: a palavra-chave da confiabilidade do jornalismo não é imparcialidade, mas independência, sem a qual é impossível fazer jornalismo crítico e honesto. E lá comecei a demonstrar, ou pelo menos o tentei, como os sabotadores e os aproveitadores da credibilidade jornalística se empenham em minar a independência de redações e jornalistas, com artifícios malandros que freqüentemente glorificam a imparcialidade.

     

    Por independência se entende a capacidade de se ser livre de qualquer dependência. E resistente a qualquer sujeição, salvo as impostas pelos compromissos e valores éticos que organizam os ideários da sociedade a que se serve.

     

    A imparcialidade é a virtude que dá, a quem a possui, a capacidade de olhar e avaliar desapaixonadamente, com neutralidade, os fatos e as ações dos respectivos intervenientes. Trata-se de virtude talvez importante para algumas profissões e circunstâncias, até por implicar uma certa noção do que é justo e reto. Mas é também a virtude de quem não toma partido em conflitos, submisso, portanto, ao que pode ser entendido como o dever da indiferença.

     

    Se a objetividade, como tantos querem, fosse no jornalismo uma estratégia possível, ou mesmo desejável, a imparcialidade seria, sem dúvida, virtude essencial. A meu entender, porém, a objetividade não faz parte do método jornalístico. O que integra o método jornalístico é a precisão, tão importante no observar e no registrar da materialidade dos fatos, quanto na escolha subjetiva de critérios e razões para as depurações narrativas.

     

    Além do mais, como ser imparcial diante da fome, do desemprego, do desamparo social, do analfabetismo, da roubalheira, do uso abusivo das benesses do poder, dos conceitos e preconceitos que esmagam minorias e excluídos?

     

    De pouco serve, pois, essa virtude a um ofício, o jornalismo, inexoravelmente submetido à obrigação discursiva de recortar, valorar, mostrar e exaltar o mais relevante no acontecido – e ao mais relevante se chega pela subjetividade de escolhas e ajuizamentos de quem exerce o ofício em função das razões éticas que lhe cão dignidade. Nnão pelas ruelas simétricas e frias da objetividade imparcial.

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